Este blog coletivo é um projeto experimental que vai ser testado no período de 09/06/2006 até 10/07/2007. A idéia é publicar textos, em formato de posts, sobre o Mundial da Alemanha. Esses comentários serão feitos por uma seleção de especialistas de vários segmentos de mercado e áreas do conhecimento, parte deles está no Brasil e outros, ainda, estão no exterior.


Chico Buarque e Bussunda

Por Sandra Mezzalira Gomes
de Berlim

Momento do show de Chico Buarque (fotos: Sandra Gomes)

Mart'nalia, filha do Martinho da Vila, deu show à parte

A notícia da morte do Bussunda, do Casseta & Planeta, me deixou extremamente chateada. Conversamos com nossa colega, a Luciana Rangel, que estava acompanhando a equipe em solo germânico e ela relatou como tudo aconteceu, que ontem ele jogou futebol e se sentiu mal, indo para o quarto. Quando ele hoje não apareceu para o café da manhã, o pessoal estranhou e achou Bussunda no quarto já em péssimo estado. E mesmo com a ajuda de dois médicos, não resistiu ao ataque cardíaco.

Vocês no Brasil devem estar mais bem informados do que nós por aqui. Mas já sei que vai sair no jornal em Berlim amanhã. Enviei uma nota em alemão para um deles e o editor agradeceu mas disse que não vai precisar já que a notícia está circulando nas agências internacionais.

Mais estranho ainda perder alguém que fez o Brasil rir tantas vezes justamente no dia que vivi momento histórico ao conferir o dísputadíssimo show de Chico Buarque de Hollanda aqui, na Casa das Culturas. O cantor há anos não se apresentava em público e mostrou, pela primeira vez, um pouco do recém-lançado CD, "Carioca", interpretando "Ela faz cinema", Ódio aos ratos", "As atrizes", entre outras. Antes de tocar "Futebol", fez observação adequada à época: "É óbvio que tenho de tocar este samba".

O concerto desta sexta-feira, na verdade, quase sábado, já que ele entrou no palco às 23:50, faz parte da Copa da Cultura. Antes, o público pode conferir o trabalho de Mart'nália, a filha de Martinho da Vila que surpreendeu muitos pela voz e animação.

Chico Buarque fez bonito arriscando várias vezes o alemão entre uma música e outra que interpretou, como "O que será", "Morro Dois Irmãos", "As Vitrines", "Futuros Amantes", "Subúrbio", "Sabiá", "Ela é dançarina", mostrando um pouco de sua carreira que há décadas serve como referência quando se fala em Música Popular Brasileira (MPB).

A apresentação começou num ritmo mais lento, romântico e nostálgico, fazendo alguns até dormirem na platéia, especialmente os alemães que não estavam entendo as letras, mas a cena mudou quando Chico "esquentou" com "Quem te Viu, quem te vê", "Vai Passar" ou "Deixa a menina", então fazendo um dueto com Mart’nália, que voltou ao palco.

Aplaudido em pé, o cantor deixou um público pedindo bis. Retornou então duas vezes e encerrou definitivamente com João e Maria, registrando cerca de uma hora e 20 minutos de um concerto que ficou para a história. E se nesta segunda-feira, dia 19, ele completa 62 anos, quem ganhou o presente foi quem conseguiu estar na platéia que lotou não apenas as cadeiras mas também sentou na frente do palco, no chão, ficando impossível transitar.



 Escrito por mestres da copa às 16h57 [] [envie esta mensagem]






O potencial social do futebol

Por Christian Costa

De Belém do Pará

 

Que a Copa da Alemanha ultrapassará todas as expectativas mais favoráveis em termos de faturamento financeiro, todo mundo está cansado de saber, afinal, se somente a receita da FIFA na comercialização dos direitos de transmissão foi de US$ 1,7 bilhão, imaginem o que representa o volume de recursos gerados, globalmente, em torno do evento.

 

Mas sufocado por uma montanha incomensurável de dinheiro que não acaba mais, faço uma pergunta: deste recurso todo, quanto será destinado para ações sociais, capazes de minimizarem os efeitos das crises internacionais da infância e adolescência?

 

O futebol, mais do que qualquer outra atividade, tem o poder de gerar sonhos para a juventude, principalmente entre os meninos. Sonhos que são alimentados por seus pais, afinal, não existe trajetória de mobilização social mais rápida e gratificante do que uma carreira bem sucedida de jogador de futebol.

 

Quando pergunto para qualquer garoto, de 07 a 14 anos, do Projeto Riacho Doce (uma atividade extensionista da Universidade Federal do Pará que utiliza o esporte como eixo estruturador do seu programa de atendimento) o que ele quer ser na vida, a resposta é imediata:

 

- “Quero ser jogador de futebol”.

 

Se esta capacidade de sedução for devidamente utilizada, ela é capaz de contribuir para a formação de cidadãos, em escala geométrica, que é muito mais importante do que formar campeões, em escala aritmética.

 

Assim como no Brasil, em vários lugares, no mundo inteiro, existem iniciativas que capitalizam este potencial do futebol, e do esporte de uma maneira geral, para contribuir na formação de jovens, porém fica uma dúvida: o volume de dinheiro investido nestas ações, durante os últimos anos, representa quanto do total de lucros gerados pela Copa da Alemanha?

 

Se encontrarmos a resposta, acho que constataremos uma triste realidade.

______________

Saiba mais sobre o Projeto Riacho Doce: http://www.ufpa.br/extensao/prd/prd.htm

 



 Escrito por mestres da copa às 14h12 [] [envie esta mensagem]






Um dia menos alegre

Por Anderson Gurgel

De São Paulo

Ainda dormindo, liguei a TV para ver o jogo de Portugal e Irã.

Acordei prá valer com a notícia da morte do humorista Bussunda, do Casseta & Planeta.

Triste. Um dia triste no verão alemão e no inverno brasileiro.

Adeus, Bussunda. Homem do show business, você sabe, como ninguém, que o "show tem que continuar"...

Descanse em paz.

Ah! Portugal ganhou de 2 a 0. O Brasil está fazendo reconhecimento de campo para amanhã...

 



 Escrito por mestres da copa às 14h05 [] [envie esta mensagem]






Sabor de Copa do Mundo

Por Carlos Ribeiro

De São Paulo

 

Durante esta  Copa vamos  falar um pouco de cultura  gastronômica dos países que estão escalados para os jogos, uma tarefa deliciosa para quem aprecia comer bem, sem observar fronteiras ou mesmo  gostar da comida do adversário.

 

Como amanhã é domingo e terá jogo da seleção, vai uma dica. Não é uma receita que envolva nosso adversário, a Austrália, mas ajuda a entrar no clima da disputa.

 

Em tempos de Mundialização e Globalização das culturas, vamos dar as dicas de mestre cuca de todo o mundo.

 

Para começar, vamos de Costa Rica ( Grupo A), país onde pude apreciar um dos pratos que mais traduzem aquele país. Bem, vamos à receita:

 

Gallo Pinto

 

Ingredientes:
2 xícaras de arroz já cozido
1 e ½ xícaras de feijão preto cozido
¼ xícara de azeite de oliva
1 cebola graúda picada finamente
3 colheres (sopa) de coentro picado
2 colheres (sopa) de molho inglês
sal


Modo de Preparo:
Cozinhe o arroz e o feijão de modo tradicional. Escorra o feijão e reserve o líquido. Coloque em uma panela o azeite de oliva e leve ao fogo para que aqueça bem. Adicione a cebola picada e metade do coentro. Refogue em fogo baixo para que a cebola doure levemente. Regue com o molho Inglês e acrescente o feijão com um pouco do liquido de cozimento. Aqueça e adicione o arroz. Misture e salpique com sal e o coentro restante. Misture novamente e sirva com banana da terra frita.

Dicas:
Esta é a receita do prato típico da Costa Rica. Normalmente é preparado com um molho chamado Lizano que substituímos na receita por molho Inglês.

 

Bom apetite! E boa sorte, Brasil!!!

 



 Escrito por mestres da copa às 13h51 [] [envie esta mensagem]






A força está na coesão do grupo

 

Luciana Vainstoc (lvainstoc@hotmail.com)

De Buenos Aires, Argentina

Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

A partida entre Argentina e Sérvia e Montenegro é o fiel exemplo da importância da coesão do grupo em uma equipe. Todos os argentinos jogaram atrás de um mesmo objetivo: ganhar sem ressaltar apenas as virtudes individuais, criando um jogo vistoso e dinâmico.

 

E são três os pilares para formar uma equipe que não é a mesma coisa que um grupo. E os pilares básicos são:

 

A proximidade: que todos conseguem sentir próximo um do outro, não apenas quanto ao contexto técnico e sim também no humano.

 

Similaridades: compartilhar o vestuário, a mesma camiseta e as mesmas vontades são qualidades importantes para criar uma mística que hoje a Argentina gerou.

 

Coesão do grupo: este sentimento proporciona que todos e cada um dos integrantes da seleção remem para o mesmo lado.

 

Estes pilares são aplicados a Argentina e também a qualquer equipe que tenha vontade de conseguir algo a mais que um bom resultado dentro do campo de jogo.

 Escrito por mestres da copa às 19h27 [] [envie esta mensagem]






Favoritismo? Mas que favoritismo?

Por Christian Costa

De Belém do Pará

 

Neste começo da Copa da Alemanha, alguns comentaristas de futebol ainda menosprezam as apresentações iniciais de várias equipes de tradição no futebol mundial e alimentam uma grande expectativa para os jogos dos brasileiros, que deverão ratificar, jogo a jogo, a condição de melhores do mundo.

 

Como sempre, na prática a teoria é outra coisa, e quando se esperava uma apresentação que justificasse plenamente todo o favoritismo indicado pelos mesmos comentaristas, o Brasil conseguiu sua primeira vitória graças a um gol quase acidental, afinal, Kaká não costuma chutar com a perna esquerda.

 

O segundo jogo está chegando e continua a farra das avaliações depreciativas sobre nossos principais adversários e o enaltecimento da superioridade da equipe brasileira. A quem interessa criar este clima de favoritismo?

 

Na verdade, ele tira o foco de questões problemáticas como a elevada média de idade da equipe, a permanência no time titular de jogadores que não tiveram boa participação nos recentes campeonatos europeus, a falta de liderança entre os atletas e várias outras.

 

Mas garante a audiência maciça e até uma forma de controle sobre um público menos esclarecido, que logo estará novamente nas ruas, extravasando as tensões provocadas pelos graves problemas sociais do Brasil. A velha estratégia romana do “pão e circo”, agora numa enorme arena globalizada...



 Escrito por andersongurgel às 18h07 [] [envie esta mensagem]






Força Palancas!

Por Florencia Saravia

De Luanda

Para torcer pela Angola (que daqui a pouco joga contra o México):

http://www.rna.ao/audio/palancas.mp3

http://www.rna.ao/audio/bonga.mp3

http://www.rna.ao/audio/forca_palancas.mp3

 

Imagem do jogo de Angola vs. Portugal

 



 Escrito por mestres da copa às 14h38 [] [envie esta mensagem]






Levantem-se que a Argentina avança

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

A frase escolhida pela Associação de Futebol Argentino (AFA), “Levantam-se que a Argentina avança”, que no início pareceu pura soberba, hoje se justificou depois do passeio aplicado na Sérvia e Montenegro, quando os comandos de José Pekerman aplicaram 6 a 0 nos europeus.

 

Afinal de contas, mesmo os mais fanáticos torcedores brasileiros, devem ter aplaudido de pé a exibição celeste e branca da querida vizinha Argentina, que passou com méritos para a fase de oitavas-de-final.

 

E para os menos avisados que devem já estar proliferando comentários para diminuir a qualidade do show de time de Tevez e cia, a oponente de hoje, a Sérvia e Montenegro, chegou à Copa depois de uma campanha invicta nas Eliminatórias, com direito de ter mandado a tradicional e forte Espanha para a repescagem.

 

Claro, os sérvios e montenegrinos não são uma maravilha, mas estão no mesmo nível da Croácia e todos lembram o sufoco dos melhores do mundo para bater os croatas por mísero 1 a 0. E o exemplo vale para Alemanha, Holanda, Portugal, França, que sofreram diante de Polônia, a mesma Sérvia, Angola e Suíça, respectivamente.

 

Mas muito além das comparações, a exibição argentina lavou a alma de quem gosta de bom futebol, valoriza o ataque, o toque de bola, o jogar com inteligência, plástica de jogadas e tabelas. Agora esperemos que Brasil, Holanda, Inglaterra e França, países hipoteticamente com qualidades para isso, possam ter se inspirado com o futebol argentino, e todos eles invistam no “jogo bonito” nas próximas partidas.

 Escrito por mestres da copa às 12h41 [] [envie esta mensagem]






Copa: bilhões de telespectadores

Por Edison Ryu Ishikura, Carlos Aragaki  e Amir Somoggi

De São Paulo

 

A Copa do Mundo de 2006 na Alemanha consolidou o evento organizado pela FIFA como o maior espetáculo de mídia do planeta. Embora os Jogos Olímpicos tenham uma abrangência muito maior, envolvam muito mais atletas, modalidades esportivas e países, os 64 jogos de futebol da Copa do Mundo são sem dúvida o momento em que mais pessoas estão à frente de seus televisores ou em locais públicos, transformando as transmissões pela TV dos jogos em uma audiência global massificada única. A final entre Brasil e Alemanha na Copa de 2002 foi vista por mais de 2 bilhões de telespectadores e o jogo de abertura desta Copa entre Alemanha e Costa Rica alcançou um market-share de 76% durante a transmissão na Alemanha  e o jogo Inglaterra e Paraguai obteve um market-share de 84% no Reino Unido.

 

Os Jogos Olímpicos de Sydney em 2000 geraram uma audiência acumulada de 25 bilhões de telespectadores, número muito próximo a Copa do Mundo de 1990 na Itália, mostrando a força do futebol em todo o Mundo..Abaixo está a provável audiência acumulada da Copa de 2006, que pode ser ainda maior em função do interesse dos telespectadores pela Seleção de seu País e nos jogos de seu ídolo preferido no futebol. A Copa da Coréia/Japão de 2002 já havia alcançado uma audiência média recorde de 641 milhões de telespectadores por partida e na Alemanha deve ultrapassar a média de 700 milhões telespectadores por partida.

 

Este potencial global de audiência tem sido muito bem explorado pela FIFA através da negociação de melhores contratos de direitos de transmissão que alcançaram US$ 1,7 bilhão para a Copa de 2006, 25% a mais que na Copa de 2002 e de suas cotas de patrocínio que podem variar de US$ 35 milhões a US$ 50 milhões e que geraram para a entidade máxima do futebol um total de US$ 790 milhões nesta Copa da Alemanha. A FIFA tem demonstrado interesse em reduzir o número de patrocinadores e negociar as próximas cotas com valores superiores a US$ 100 milhões para a Copa de 2010 na África do Sul, colocando a FIFA, o COI e a NFL como as entidades com as propriedades esportivas mais valiosas no mercado de patrocínio esportivo global.

 

A Copa da Alemanha que iniciou hoje a 2ª rodada da primeira fase já trouxe uma inovação em termos de marketing esportivo por parte de um dos patrocinadores oficiais. A empresa norte-americana Coca-Cola, como componente de sua estratégia mercadológica global, que trabalha com a paixão do torcedor pelo futebol, elaborou uma ação criativa buscando ampliar o goodwill da marca através das transmissões dos jogos durante a 1ª rodada. A empresa desde o jogo de abertura tem utilizado as placas de publicidade estática nos estádios alemães para associar seu patrocínio ao símbolo mais representativo das Seleções, suas cores e com isso a cada jogo sua propriedade de arena tinha a cor dos times que estão disputando as partidas.No jogo de hoje entre Alemanha e Polônia a publicidade estática da Coca-Cola apresentava o site temático da empresa com o futebol e com isso tem dado um certo dinamismo para sua comunicação.

 

Para os próximos anos a FIFA e seus patrocinadores oficiais terão que encontrar uma fórmula para abordar esse bilhões de telespectadores/consumidores de forma segmentada, que poderá ser possível graças à proliferação da transmissão dos jogos pela Internet e do desenvolvimento da TV digital. 

_________

Divisão Esporte Negócio – Casual Auditores Independentes

www.casualauditores.com.br/Divisao.html

 

Edison Ryu Ishikura

Sócio da Casual Auditores Independentes, doutor em contabilidade pela Universidade de São Paulo – USP, mestre em contabilidade pela USP-SP, professor e especialista em auditoria e contabilidade de entidades desportivas.

 

Carlos Aragaki    

Sócio da Casual Auditores Independentes mestre em contabilidade e controladoria  pela PUC-SP, professor e especialista em auditoria e contabilidade de entidades desportivas.

 

Amir Somoggi        

Responsável pela área de novos negócios da Casual Auditores Independentes, pós-graduado em direção de Marketing Estratégico de Entidades Esportivas pela Universidade de Barcelona, Espanha, professor e especialista em futebol negócio.

 



 Escrito por mestres da copa às 12h35 [] [envie esta mensagem]






Futebol e Geografia

 

Por Fernando Gallego

De Curitiba

 

         Há alguns anos tenho procurado discutir academicamente o futebol. Proponho um diálogo deste com a ciência geográfica. Algo pouco comum, sobretudo no Brasil. Infelizmente, o futebol é ainda um tema negligenciado nas universidades brasileiras e não é visto com seriedade pela própria sociedade.

 

Freqüentemente, me perguntam sobre o tema da minha dissertação e respondo: “futebol”. A reação das pessoas são as mais estranhas: “como assim?”; “mas futebol?!”; “o que tem a ver?”. A maioria acha legal, mas não entendem nem como nem por que a Geografia estudaria o futebol.

 

Acredito que há duas razoes principais para isto. A primeira é que as pessoas possuem uma imagem estereotipada da geografia: questionários, decorar capitais, etc. Por muito tempo a ciência geográfica se fechou em um marxismo muitas vezes mal interpretado. Questões econômicas foram privilegiadas em detrimento a questões culturais.

 

O futebol, como elemento cultural que é (ele transcende a sua condição esportiva), não tinha importância nenhuma nos estudos espaciais. A segunda razão da estranheza é que a sociedade brasileira não está acostumada a falar dela, ou melhor, das coisas que legitimam sua brasilidade: futebol, religião, festas populares, etc. Para o senso comum, estes temas devem ser discutidos apenas nas mesas de bares, longe dos livros, artigos e ensaios acadêmicos.

 

Para muitos na academia, estes temas são demasiadamente “populares”, ou seja, não têm lugar para serem discutidos nas “casas da razão”. Aposto que se eu respondesse que meu objeto de estudo eram as atividades industriais brasileiras ninguém ia me indagar: “o que isso tem a ver com a Geografia?”.

 

         O futebol é democrático. Ele se permite ser discutido tanto nas salas de aula quanto nos botecos. Ele não é tão racional que só possa ser entendido pelas discussões teóricas e estudos de caso, nem tão simples que possa ser totalmente compreendido nos bate-papos informais. Ele é um elemento fundamental da cultura brasileira (e mundial) e deve ser encarado como tal. Em época de Copa do Mundo, parece que convencer as pessoas disto torna-se mais fácil.

 

Mas, afinal, o que o futebol tem a ver com a Geografia?  Vou aprofundar essa dobradinha nos próximos posts...



 Escrito por mestres da copa às 12h12 [] [envie esta mensagem]






COPA DO MUNDO, FUTEBOL E CULTURA

 

Por Domingos Antonio D’Angelo Junior

De São Paulo

 

No momento em que o futebol é o centro das atenções, diversas entidades estão promovendo exposições com o tema do esporte das multidões.Indicamos algumas, que via de regra apresentam excelentes obras, com pinturas, esculturas e fotografias, em que a arte se dedica ao futebol.

 

EXPOSIÇÃO - FUTEBOL - DESENHO SOBRE FUNDO VERDE

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro uniu-se ao Instituto Goethe para criar a exposição Futebol – Desenho Sobre Fundo Verde. A mostra reúne mais de 40 obras de artistas nacionais e internacionais, fotografias, vídeos, pinturas e esculturas de 19 artistas (nove brasileiros e dez estrangeiros) que unem arte e futebol. Em exposição, obras dos brasileiros Paulo Climachauska, Artur Bispo do Rosário, Felipe Barbosa e Rubens Gerchman; do grupo Chelpa Ferro; do francês Stephen Dean e do alemão Olaf Nicolai. Curadoria de Alfons Hug. Até dia 9 de julho, das 10 às 21 horas. Entrada franca. Rua Primeiro de Março 66, Centro, Rio de Janeiro, Tel. (21) 3808-2020.

 

EXPOSIÇÃO SHOW DE BOLA

A Galeria Brasiliana de São Paulo, reuniu obras de 15 artistas populares. São pinturas de Agostinho Batista de Freitas, Camilo Tavares, Irene Medeiros, João Pilarski, José Pereira, Licídio Lopes, Nezinho Duda, Nilson Pimenta, Sérgio Vidal, Suene de Oliveira Santos e Vicente Ferreira. Desenhos de Zica Bergami, esculturas em madeira de Nilson de Valença e objetos reciclados de Paulo Carneiro. Sob a Direção de Roberto Rugiero. Até o dia 07 de julho, das 10 às 18 horas (sábados, das 10 às 17 horas), Rua Artur de Azevedo 520, Jardim Paulistano, São Paulo, Tel. (11) 3086-4273 e 3064-1709.

 

FUTEBOL & ARTE

No Espaço Cultural Vivo de São Paulo, estão reunidos 11 verdadeiros mestres de nossa arte: Aldemir Martins, Francisco Rebolo, Fúlvio Pennacchi, Miécio Caffé, Claudio Tozzi, Ivald Granato, José Roberto Aguilar, José Zaragoza, Nelson Leirner, Roberto Magalhães e Rubens Gerchman. Curadoria de Lisbeth Rebollo Gonçalves. Até 09 de julho, de 2ª a 6ª feira, das 09:00 às 20:00 horas, Avenida Dr. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo, Tel. 3188-4147.

 

 



 Escrito por mestres da copa às 12h05 [] [envie esta mensagem]






ALEMANHA SEMPRE ALEMANHA

 

Por Fabio Cunha

De São Paulo

 

Quem assistiu Alemanha 1 X 0 Polônia pode ter tido duas impressões diferentes.

Primeiro analisando a parte técnica. A Alemanha é um time extremamente limitado. A maioria dos jogadores não tem condições técnicas para vestirem essa camisa tão tradicional e vitoriosa. A quantidade de passes errados, dribles errados e bolas perdidas foi assustador para uma seleção favorita ao título. Observando esse aspecto, fiquei feliz e pensei... a seleção alemã não vai tão longe.

Mas...

Tem um outro lado, lado esse preocupante para as outras seleções. A Alemanha mostrou muita vontade e dedicação. Seus jogadores superaram em garra o que lhes falta em técnica. Ao contrário do que escrevi sobre a França, os donos da casa sabem que estão disputando um mundial e que precisam ganha-lo, por isso jogam pela vitória a todo o momento.

A dedicação alemã foi premiada com um gol nos acréscimos e, conseqüente, vitória sobre os poloneses e a classificação para as oitavas.

Caros amigos, cuidado com a Alemanha! Nem sempre uma Copa do Mundo se decide só com técnica e jogadas de efeito. O futebol deve ser bonito, mas antes de tudo... objetivo.

 



 Escrito por mestres da copa às 11h16 [] [envie esta mensagem]






FAVORITOS ATÉ QUANDO? – parte 3

 

Por Fabio Cunha

De São Paulo

 

Vou falar do pior jogo até agora ou, pelo menos, o mais decepcionante: França 0 X 0 Suíça.

Não pela Suíça, pois tem um futebol limitado e ninguém espera muito do país, mas sim pela França. A equipe francesa possui jogadores com qualidade e experiência. É um dos favoritos a conquista da Copa.

Os franceses começaram a partida mostrando que fariam um bom jogo, tocavam bem a bola e controlavam as ações... Ledo engano, pura ilusão e com o passar do tempo, tornou-se desilusão.

O time mostrou uma total apatia e desinteresse. Parecia um jogo treino ou o famoso solteiros X casados. Aquele tipo de jogo que não vale nada e que ninguém quer jogar... Esqueceram de avisar as duas equipes que estavam disputando uma Copa do Mundo, simplesmente só isso.

Muitos falam da desculpa da idade, razão essa porque a França tem um dos times mais velhos da Copa. A média de idade supera os 30 anos, mas para mim isso não é desculpa. Falta de interesse e dedicação não tem relação com idade.

Analisando taticamente, a França joga no tradicional 4-4-2. Os laterais raramente apóiam o ataque; joga com um volante fixo (Makelele) que muitas vezes atua como um terceiro zagueiro e outro volante que chega mais a frente (Vieira); o time é muito dependente de Zidane e Henry.

Concluindo, foi um jogo péssimo e um dos jogos mais lentos dos últimos anos ou décadas. Parecia, em termos de velocidade, um jogo dos anos 60 ou 70.

Se a França não melhorar muito, principalmente na vontade, vai voltar mais cedo para casa... novamente.



 Escrito por mestres da copa às 11h13 [] [envie esta mensagem]






Os Estádios na Copa

Por Eduardo de Castro Mello

De São Paulo

 

Estadio de Berlim: história e tecnologia

(foto: DZT/Centro de Turismo Alemão)

 

A Copa do Mundo de Futebol já está na sua segunda rodada da primeira fase e o espetáculo está acontecendo em várias cidades da Alemanha. As várias equipes vão definindo suas participações nesta que é uma das mais importantes competições mundiais, comparável apenas aos Jogos Olímpicos.

 

Se até agora no futebol ainda não há vencedores, no item instalações esportivas os alemães já podem comemorar sua vitória. Os estádios escolhidos como sedes dos jogos estão se mostrando como excelentes, atendendo perfeitamente tanto às equipes quanto ao público em geral.

 

Isto se deve a equipe de arquitetos especializados que desenvolveu seus projetos, seja de reforma e atualização, como os novos que foram construídos para a competição. Acrescenta-se a isto a fantástica soma de dinheiro disponível para que estas edificações fossem erguidas

 

Ao assistir os jogos pela TV, minha atenção está dividida entre os lances e as jogadas dos grandes astros da bola e as tomadas dos estádios, mostrando detalhes que podem parecer sem importância para leigos, mas que dizem muito para quem entende do assunto.

 

Alguns pontos, entre outros, merecem destaque:

 

- As coberturas todas em estruturas metálicas e membranas tencionadas;

 

- Os locais para o público nas arquibancadas com cadeiras individuais, de assento rebatível, em número correto entre as passagens transversais de acesso e saída, importante item de segurança nos estádios;

 

- A correta iluminação com refletores de alto rendimento em número e posicionamento ideais eliminando a desagradável sombra em forma de cruz que acompanham os jogadores em vários dos nossos estádios;

 

- Os vestiários dos jogadores com instalações bem dimensionadas e materiais de acabamento adequados e de qualidade;

 

A África do Sul está se preparando para o Mundial de 2010 e o Brasil já se candidatou para a sede de 2014. Se o trabalho não começar já, com uma comissão organizadora de alto nível, que esteja assessorada por equipes que realmente conheçam o assunto – e que existem em nosso País – será muito difícil chegar perto do que a Alemanha nos apresenta nesta Copa.

 

Gostaria que os companheiros que estão assistindo os jogos nos estádios aí na Alemanha, enviassem seus comentários e observações sobre os mais variados aspectos relativos aos estádios para que nas próximas intervenções o assunto volte a ser discutido.

 



 Escrito por mestres da copa às 09h34 [] [envie esta mensagem]






Copa do Mundo, Futebol e Cultura

Por Domingos Antonio D’Angelo Junior

De São Paulo

 

Foram publicados excelentes GUIAS PARA A COPA DO MUNDO, para quem quer acompanhar a copa deste ano, com todas as informações.

 

GUIA OFICIAL – Editor Roberto Muylaert – R$11,90.

A RMC Editora publica novamente o Guia Oficial da FIFA da Copa do Mundo da Alemanha. Em 138 páginas, temos uma pequena história do futebol, de cada copa do mundo, uma analise de todas as seleções, as cidades, os estádios e curiosidades sobre os uniformes da seleção brasileira, Pelé x Maradona, goleiros de todas as décadas e um ensaio fotográfico sobre a educação e elegância no futebol do passado.

 

GUIA DA COPA 2006 - Editores Arnaldo Ribeiro e Gian Oddi – R$9,99

A Placar, publicou Guia da Copa 2006, em 162 páginas a revista apresenta de acordo com os grupos uma reportagem sobre as seleções e a relação de todos os jogadores convocados, com dados pessoais, clubes que jogaram e participações em Copas do Mundo.

 

GUIA LANCE! COPA’06 - Editor Luiz Fernando Gomes – R$7,50

O jornal Lance! publicou o guia acima, em 178 páginas cada seleção é dissecada, com sua estratégia de jogo, time base e a relação de todos os jogadores.

 

COPA’06 – WW.TRIVELA.COM

O site publica seis edições de uma revista muito bem preparada, com entrevistas de Felipão, Parreira, Mascherano, Ronaldo, Kaká e Cafu. Analisa cada setor e tem um perfil dos convocados para a Seleção Brasileira. R$7,90 cada edição.

 

As duas edições da Placar e do Lance agradeceram a FIFA pela data de 15 de maio para inscrições dos jogadores, o que facilitou a elaboração. Um ponto fraco é que a contusão de Edmilson e a convocação de Mineiro já deixaram os guias desatualizados, já antes de começar a competição.

 

Merecem menção também os guias editados pela On Line e Sport Life.

 

Se escolher o melhor é difícil, façam como eu, comprei todos...

 



 Escrito por mestres da copa às 08h49 [] [envie esta mensagem]






Vitória contra Polônia e, agora, classificação

Por Sandra Mezzalira Gomes
De Berlim

O local escolhido para assistir à partida Alemanha e Polônia de quarta-feira aqui em Berlim foi um achado! E encontrei na internet!* Preços bons, atendimento na mesa, acústica e telão com boa qualidade, torcida animada e desta vez, visivelmente pela seleção anfitriã. Estava um pouco com receio por saber que os hooligans de ambos times são considerados do grupo dos mais agressivos (e no fim, alguns conflitos entre torcedores foram inevitáveis, como em Dortmund) mas o clima tanto neste local quanto na rua foi de festa. Tanto que a Festa oficial da Fifa (Fan Meile) de Berlim bateu o recorde de público, com meio milhão de pessoas acompanhando a disputa em harmonia.

A Alemanha jogou ofensiva, o goleiro Lehmann mostrou excelente forma e foi várias vezes aplaudido. A partida, em si, um espetáculo. Disputada, os dois lados buscaram o gol que só saiu, como um grito de alívio, no primeiro minuto da prorrogação, ou seja, aos 91 minutos, quando Neuville finalmente marcou para a anfitriã! A Polônia ficou ainda defasada nos últimos 15 minutos, quando Sobolewski levou o amarelo por causa de uma falta e, ao reclamar, foi expulso pelo juiz espanhol Luis Medina Cantalejo.

Ângela Merkel, a chanceler da Alemanha, apareceu no telão pela primeira vez, no primeiro tempo do jogo, e teve quem aplaudiu, vaiou e até assobiou, arrancando risos, um "fiu-fiu". Mas o público se divertiu mesmo com as reações da chefe de Estado flagradas aos 80 minutos, quando Klose, Lahm e Neuville tentaram passar a barreira do goleiro Boruc sem sucesso, mas enganando boa parte da torcida alemã, que acreditou por alguns segundos no gol. Merkel reagiu como a maioria, pulou, comemorou, fez careta, percebeu o engano e sentou, novamente, decepcionada.

Mais engraçado foi no caminho de volta pra casa, um italiano meio alcoolizado falava sozinho na rua, observando tristemente sua bandeira da Alemanha com a haste partida: "Mia flag é kaputt" (minha bandeira está quebrada, misturado de italiano com alemão). Como ganhei duas na Mini Arena da Adidas, ofereci a minha à ele que ficou todo feliz. Como agradecimento (apesar de insistir que não precisava já que era uma bandeira "vagabunda" de um tablóide sensacionalista mas quer discutir?)ganhei o seu boné, muito bacana por sinal, escrito "Deutschland" (Alemanha). Tem cada uma...

PS. Com a derrota da Costa Rica hoje, quando o Equador venceu-a por 3 a 0, a Alemanha está na próxima fase. Mais um motivo para comemorar.

Serviço

*Convexus/ Rock it
http://www.rock-it.de/
Oferece Biergarten para dias de sol e a parte interna, também com telão, em caso de chuva.
Obentrautstr. 19/21 Kreuzberg Berlim



 Escrito por mestres da copa às 17h00 [] [envie esta mensagem]






Ivete Sangalo em estréia brasileira na Copa 2006

Por Sandra Mezzalira Gomes
De Berlim

Torcida brasileira e crota, juntas: música e futebol (Foto: Sandra Gomes)

O favoritismo brasileiro era visível pela quantidade de pessoas com o verde e amarelo nas ruas de Berlim. E que grande parte eram estrangeiros, ficava claro ao se fazer alguma brincadeira e a pessoa responder com um "wie bitte?", ou "pardon me?". Teve até uma família de mexicanos, todos pelo Brasil, com a qual foi preciso usar um "portunhol". O Brasil tomou conta das ruas, das "public view" (locais com telões), dos trens e do estádio. Da Fan Meile até o Waldbühne, onde Ivete Sangalo agitava o público, a seleção entrou em campo como a Topfavorite (super favorito), como os próprios alemães dizem. Mas no fim, decepcionou. Correu o risco de levar um gol nos últimos minutos e foi motivo de piadas para a imprensa alemã. No Brasil também não podia ser diferente. Dizem que agora Parreira está fazendo a "Copa econômica", ou seja, basta um rojão por jogo já que não passará do um a zero...esperamos que fique só na piada!

Ivete Sangalo e mais axé

Imagem do local do show de Ivete Sangalo

Ivete Sangalo agita antes do jogo (Fotos: Sandra Gomes)

Sem parar um minuto no palco Waldbühne a cantora Ivete Sangalo entreteu a platéia por quase duas horas antes do Brasil entrar em campo ali do lado, no Estádio Olímpico. Com seus dançarinos e músicos ela fez a maioria sair do chão com um repertório de samba, axé e a presença de Sandra de Sá e Margareth Menezes para algumas músicas em conjunto.

Sandra de Sá chegou a assistir ao primeiro tempo da seleção no meio da platéia que, após o concerto, se acomodou na arquibancada e acompanhou atenciosa à partida. O local, uma casa de concertos no meio da floresta, será palco para alguns eventos, na chamada Fussballfest (Festa do Futebol). Para quem quis conferir, um hip hop brasileiro o Marcelo D2 tocou no Tremptower Park, do outro lado de Berlim, antes da partida.



 Escrito por mestres da copa às 16h43 [] [envie esta mensagem]






Chico Buarque & cia em Berlim

Por Sandra Mezzalira Gomes
De Berlim

Estádio onde foi disputada a partida

Chico Buarque cobra escanteio

Assédio em Chico Buarque após jogo

(Fotos: Sandra Gomes)

Depois do suado 1 a 0 da seleção brasileira na terça-feira contra a Croácia, os privilegiados* que puderam acompanhar a "pelada amistosa" na Mini Arena da Adidas, na quarta à tarde, conferiram que Chico Buarque entende também de futebol e mesmo sexagenário está em forma afinal, foi um show de gols inclusive do Chico com o placar final de 9 a 6, confuso e não muito bem divulgado ("não interessa o número de gols", respondeu um rapaz da organização. Sorte que um colega conseguiu acompanhar todos os lances e passou para o restante da imprensa). Enquanto jogavam, canções da música popular brasileira serviam de fundo para o amistoso, com as arquibancadas praticamente vazias.
Conseguir os nomes dos jogadores que estavam em campo foi outro problema. O funcionário da assessoria de imprensa da Arena Adidas explicou que a organização foi da Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo). Em contato por telefone a assessoria da mesma, esta soube informar que o time alemão foi formado por jornalistas e funcionários da HKW. Já ao lado de Chico, no campo, estariam membros da sua equipe como seu gerente além do músico Carlinhos Vergueiro. A lista completa com os jogadores ainda está sendo aguardada.
Antes da partida, que durou cerca de 60 minutos, Chico deu entrevista à uma emissora de televisão brasileira declarando estar feliz de poder participar da Copa das Culturas, principalmente pelo fato do Brasil estar divulgando suas produções artísticas, mostrando que é mais do que futebol. Revelou que tocará cinco canções do seu novo CD "Carioca", lançado recentemente no Brasil, que será interpretado ao vivo na Alemanha antes mesmo da platéia brasileira ter tido a chance de conferir o trabalho. Quanto à estréia da seleção, o cantor reclamou por não ter conseguido assistir muito bem ao jogo, mas deu um voto de confiança, destacando atuação de Ronaldinho e Ronaldo. Garantiu que acompanhará o restante do 18 Torneiro Mundial de Futebol em locais sossegados.
Para outro nome da MPB, Carlinhos Vergueiro, a seleção só tende a melhorar. Quanto ao seu desempenho em campo nesta quarta-feira, brincou: "Foi minha primeira vitória em Berlim". Ao perguntarem se o público terá oportunidade de vê-lo no palco ao lado de Chico Buarque no concerto de sexta-feira, fez mistério. "Canja é canja, tem de ser surpresa."
Os ingressos para o show do Chico Buarque foram vendidos em questões de horas, antes mesmo da Copa da Cultura ter sido oficialmente aberta pelo Ministro da Cultura Gilberto Gil. Tanto que na coletiva de 24 de maio, o concerto foi citado como prova do sucesso do evento. Boatos dizem que brasileiros teriam vindo para Berlim especialmente para este show, já que Chico não se apresenta há anos. Agora, os rumores é de estar circulando um abaixo-assinado para que o cantor faça mais uma apresentação.
Mais informações sobre a Copa das Culturas na www.brazine.de (português e alemão),www.hkw.de (alemão e inglês),www.brasilianische-botschaft.de (português e alemão).

*Era possível acompanhar a "pelada" pagando um euro de entrada na Mini Arena Adidas. O problema é que a divulgação meio em cima da hora deixou a própria imprensa confusa. E pela organização ter sido separada, quando se perguntava na Mini Arena quando seria o jogo, ninguém sabia informar.



 Escrito por mestres da copa às 16h33 [] [envie esta mensagem]






Equador vence com atitude e sem altitude

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

Na sua segunda participação em mundiais o Equador consegue o feito histórico de se posicionar já entre as melhores 16 seleções do mundo, após bater a Costa Rica por 3 a 0 em jogo da segunda rodada da Copa.

 

Além do feito inédito do país, o Trator Amarelo surpreendeu por assumir o primeiro lugar no grupo e deixar os poderosos anfitriões, os alemães, em segundo lugar na chave. Com isso, os equatorianos podem escapar da tradicional Inglaterra, que enfrentaria já a Alemanha nas oitavas-de-final.

 

Mas o maior feito da seleção equatoriana, que é formada em 30% por jogadores da LDU de Quito, foi jogar com muita atitude, força, velocidade e tranqüilidade para impor seu ritmo de jogo sem precisar contar com a ajuda de toda a vida, a altitude.

 

A equipe mostrou amadurecimento para vencer o estigma de time caseiro e agora o país já soma três vitórias em cinco jogos em mundiais, um grande feito para um time que era respeitado apenas nas alturas de Quito.

 

Agora, a dica é para o Internacional abrir os olhos com os fortes equatorianos, já que enfrentará a LDU no próximo mês, no Beira-Rio, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores.



 Escrito por mestres da copa às 12h45 [] [envie esta mensagem]






Mãe, ou Madrasta, África

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

Pela estréia dos cinco representantes do continente africano, ainda não será neste Mundial que um país da África vai levantar a Copa ou chegar ao menos na final, como há anos vem sendo previsto por muito especialistas da bola.

 

Das cinco seleções africanas neste Mundial apenas a Tunísia não perdeu ao debutar na competição, depois do empate com a fraca Arábia Saudita. Antes, Gana, Costa do Marfim, Angola e Togo já haviam perdido nas suas estréias.

 

Vale lembrar que a sorte não foi nenhuma mãe com a África e Costa do Marfim, Gana e Angola enfrentaram logo de cara adversários como Argentina, Itália e Portugal, respectivamente. Mas além de Costa de Marfim e Gana, as outras três seleções surpreenderam pela fragilidade tática e pela tradicional ingenuidade defensiva.

 

Mas isso não deve inibir novas previsões, como: “daqui umas duas Copas teremos um campeão do mundo africano”. Pois a geografia do futebol continua mudando.

 Escrito por mestres da copa às 19h49 [] [envie esta mensagem]






Mundial da Alemanha apresenta queda de gols

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

Após o término da primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo da Alemanha, a atual competição mostrou uma queda no número de gols marcados em relação ao Mundial disputado em 2002, na Coréia-Japão.

 

Nos 16 jogos da rodada inicial, fechada hoje com o empate em 2 a 2 entre Arábia Saudita e Tunísia, ao todo as redes alemãs balançaram 38 vezes, com uma média de apenas 2,3 gols por partida.

 

O torneio da Alemanha apresentou uma queda de oito gols em relação ao último Mundial, que teve na primeira rodada a marcação de 46 gols e a média de 2,8.

 

Outro número que também surpreendeu no atual Mundial foi o de placares em branco. Só nesta rodada inicial a Copa já registrou dois 0 a 0 e igualou o número que o placar aconteceu em toda a primeira fase da Copa realizada na Ásia.



 Escrito por mestres da copa às 19h24 [] [envie esta mensagem]






Gastronomia

Comer,Beber e Torcer
 
Por Carlos Ribeiro
De São Paulo
 
Cada um dos mestres aqui foi escalado pelo nosso  técnico Aderson Gurgel e cada um vai atuar fazendo seu meio de campo. Eu que não entendo muito de Futebol, mas posso fazer caradápios e dar dicas para os jogaços que começaram ontem, terça-feira, com Brasil e Croácia, recomendo assistir aos jogos em boas mesas. 
 
Dentro disso, a minha dica é o Restaurante La Coruña, de cozinha tipicamente espanhola, pilotada pela nossa querida Sandra Picos ( La Garantia), e como empolgante comentarista e entusiasta, o seu irmão Carlos Otero que vai torcer muito pelo nosso jogadores, sem contar com a alegria da nossa hostess La Madrecita Carmen Picos, mais espanhol impossível.
 
Esperamos todos por lá, torcendo pelo Brasil ou pela Espanha. Olé!
 
18/06/06
 13h00m
Brasil x Austrália
menu degustação de paellas   R$  29.50  Domingo
 
 
22/06/06
16h00m
Brasil x Japão
3; Ragu c/ polenta e pestiscos brasileiros R$ 19.50  - Quarta-feira
 
Serviço:
 La Coruña
 Al. Lorena, 1160 - Cerqueira César - São Paulo - SP
 Tel: (11) 3085-3999
Cartões de Crédito todos menos  AMEX.
 Estacionamento com manobrista
 


 Escrito por mestres da copa às 13h54 [] [envie esta mensagem]






Na geral

O espetáculo da torcida

Edson Gushiken*
De São Paulo

Geralmente eu não me ufano, por isso só ontem fui envolvido – à força – pelo clima de Copa do Mundo. Três semanas atrás circulou um boletim interno na fábrica da Mercedes-Benz, onde presto serviço como assessor de imprensa, informando que nos dias de jogo do Brasil às 16h, todos os funcionários seriam dispensados mais cedo. O assunto é tão sério que esse acordo foi acertado entre a direção da fábrica e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Então, ontem, pontualmente no horário combinado, às 13h40, peguei as minhas coisas e saí do escritório. No caminho para o portão, de longe vi uma imensa fila de gente tentado passar pelas duas catracas que dão acesso ao estacionamento. Eram cinco mil funcionários saindo ao mesmo tempo, muita gente já vestida com as cores verde e amarela, alguns tocando corneta. Parecia que eu estava na porta de um estádio.

Iria assistir o jogo na casa do meu amigo, Anderson, que mora perto da Avenida Paulista. Normalmente consigo fazer esse trajeto em 40 minutos. Ontem enfrentei duas horas de congestionamento, começando pelo estacionamento da fábrica, onde cabem três mil carros.

É ridículo você entrar no carro e ter que esperar alguém dar uma brecha para engatar a ré e sair da vaga. Mas o cenário era esse ontem. Quando finalmente consegui chegar na saída da fábrica, vi que tinha um funcionário da CET de São Bernardo em frente ao portão da fábrica. Ele segurava o trânsito para podermos sair, pois o fluxo era maior do nosso lado.

Uma hora depois, me encontrava parado no Minhocão. Aí relaxei, conformado que iria perder o começo do jogo. Só então reparei que quase todos os carros tinham bandeirinhas do Brasil na janela e muitos motoristas estavam usando camisetas verde e amarelo. Realmente estava todo mundo mobilizado, ou imobilizado, para ver a estréia do Brasil (a nação, não somente um time de futebol) na Copa do Mundo.

Como já disse antes, não me ufano, sou um cético inveterado, mas naquele momento até tive vontade de vestir a camisa da seleção que jazia no banco de trás do meu Pálio. O pessoal da Mercedes-Benz conseguira comprar camisetas parecidas com as da Nike por dez reais, quando foi na 25 de Março adquirir bandeirinhas verde e amarelo para decorar o escritório. Daí eu fiquei com uma que tinha o número dez e o nome Ronaldinho estampados nas costas.

O rádio informava que a CET media o triplo de congestionamento naquele horário da tarde. O normal seriam 50 quilômetros de fila, mas por causa da comoção nacional para ficar na frente de uma tela de TV, ontem São Paulo tinha 160 quilômetros de carros parados às três da tarde. Os enviados especiais entravam no ar a todo momento dando seus palpites para o confronto contra a Croácia, esse pobre país da Europa. Era o que nos aliviava, mesmo no meio daquele caos, pelo menos recebíamos notícias que nos interessavam (?).

Quando uma repórter começou a falar sobre o ocaso da Varig, naquele momento aquilo parecia totalmente fora do lugar, todo mundo só queria saber do jogo do Brasil, acho que até a própria repórter que dava a notícia não prestava atenção nas palavras que saiam da sua boca, ela devia estar com a cabeça na estréia da seleção.

Fiquei imaginando que se os jogadores brasileiros pudessem ver as cidades pelo país todo paradas por causa do jogo, sentiriam a enorme responsabilidade que carregam, a esperança-sei-lá-do-quê que a população coloca neles. Talvez entrassem em pânico, ou quem sabe até jogariam melhor. Só sei que ontem o espetáculo da platéia foi desproporcional ao tamanho da espetáculo de fato executado pelos atores.

*Edson Gushiken, jornalista, é assessor de imprensa da Imagem Corporativa para a Volvo Cars, trabalho no eixo São Paulo-São Bernardo do Campo (onde fica a fábrica) regularmente.


Eu e o time da fábrica, antes do jogo

 Escrito por mestres da copa às 13h30 [] [envie esta mensagem]






Repercussão da vitória brasileira na Argentina

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

O jornal esportivo mais lido na Argentina, o Olé, destacou que o Brasil venceu de forma magra e passou por sustos contra a Croácia. Ainda assinalou que a equipe não foi bem coletivamente.

 

Os dois principais jornais do país também destacaram a vitória do Brasil em suas edições digitais. O La Nación relatou parte da entrevista de Kaká que abordou a falta de mobilidade do time brasileiro.

 

Já o Clarín, estampou em sua manchete que “A Brasil no le sobró nada en el debut ante Croácia”, referindo-se a vitória apertada dos brasileiros.

 

O diário argentino lembrou a expectativa que o mundo da bola tinha em ver estrear “eles, os pentacampeões, os que jogam o futebol mais lindo do mundo, os que jogam bonito”.

 

No final da matéria, o Clarín avaliou como injusta a vitória e disse que os brasileiros terminaram o jogo pedindo o seu término. Ressaltou também a declaração de Parreira, que na segunda-feira havia dito que o time reserva do Brasil estava no mesmo nível dos croatas. Aí, o jornal alfinetou: O treinador brasileiro errou ao escolher este time”. ·

 Escrito por mestres da copa às 12h18 [] [envie esta mensagem]






Brasil fechou a participação dos sul-americanos na primeira rodada

 

Por Wendel Caballero de Mello

De São Paulo

 

Dos quatro representantes da Conmebol, Confederação Sul-Americana de Futebol, só faltava o Brasil estrear na Copa. O país também é o único, entre as seleções do continente, que além de historicamente apresentar boas campanhas na Europa, já levantou uma Taça no velho continente.

 

Com a vitória o time de Parreira fecha a participação dos sul-americanos na primeira rodada da Copa de forma positiva, já que somaram três triunfos com os da Argentina e do Equador e apenas com uma derrota, a do Paraguai.

 

Todavia, a boa vitória do México, apesar de pertencer a Concacaf, poderia se somar às estatísticas da América do Sul, pois desde o início dos anos 90 a seleção Tricolor disputa torneios no continente, como a Copa América. E os clubes mexicanos as Copas Libertadores e a Sul-Americana.



 Escrito por mestres da copa às 12h07 [] [envie esta mensagem]






FAVORITOS ATÉ QUANDO? – parte 2

 

Por Fabio Cunha

De São Paulo

 

HOLANDA - A Holanda apresenta um dos esquemas mais tradicionais. É cultural a adoção do 4-3-3. O treinador assume a equipe sabendo que deve jogar nesse esquema, coisa que também acontece na maioria dos clubes.

 

A Holanda teve algo parecido com a Inglaterra, também jogou só um tempo. O cansaço dos holandeses foi mais evidente. Como jogam com dois “pontas” abertos, esse esquema pode sobrecarregar os meias, o desgaste físico é muito grande.

 

A maioria das ações ofensiva é realizada pela esquerda, até porque o atacante Robben, autor do gol da vitória, é o principal jogador da equipe. Um dado curioso, é que os dois pontas são canhotos.

 

Um dos pontos que mais me chamou a atenção é a falta de ligação direta defesa-ataque. A Holanda sempre passa a bola pelo meio-campo para construir suas ações ofensivas.

 

Em compensação, um dos pontos que deve ser destacado e que pode prejudicar a equipe no decorrer da competição é a falta de experiência do time. Muitos jogadores são novos e até os experientes a maioria nunca disputou uma Copa. O seu treinador, Marco van Basten, apesar de ter sido um dos maiores atacantes da história do futebol mundial, é novato na função.

 

Acredito que a Holanda vá fazer um bom papel, mas deve prestar atenção no condicionamento físico e nas agruras de um time inexperiente.

 



 Escrito por mestres da copa às 01h10 [] [envie esta mensagem]






FAVORITOS ATÉ QUANDO? – parte 1

 

Por Fabio Cunha

De São Paulo

 

Vou falar de três equipes favoritas ao título após seus primeiros jogos, Alemanha, Inglaterra e Holanda. Ainda não comento o Brasil, falo disso em outro post.

 

ALEMANHA - Tão comentada hoje, principalmente na TV, as famosas duas linhas de quatro. O que é isso? É o posicionamento dos quatro jogadores de defesa em linha e dos quatro jogadores de meio-campo, também em linha.

 

A Alemanha me surpreendeu pela clareza com que joga nessas duas linhas de quatro. Os quatro zagueiros ficam praticamente em linha, inclusive fazendo a linha de impedimento, que por sinal não deu certo, veja que os dois gols da Costa Rica saíram em bolas enfiadas por entre os zagueiros. A única solidez na defesa é o goleiro, por sinal um dos melhores do mundo.

 

Os quatro jogadores do meio-campo também atuam em linha. Os dois meias Scheinder e Schweinsteiger jogam bem abertos pela direita e esquerda, respectivamente. Será que com a volta de Ballack esse posicionamento irá mudar? Espero que sim e para melhor, pois o posicionamento tornou a Alemanha uma equipe muito previsível e pouco criativa, sorte que a Costa Rica não ofereceu muito perigo.

 

INGLATERRA - Joga no tradicional sistema 4-4-2, com um atacante rápido e outro mais parado e alto para as bolas aéreas.

 

A Inglaterra pareceu jogar duas partidas distintas. No começo da partida com o Paraguai, até aproximadamente uns 30 minutos, foi uma equipe envolvente, com bom toque de bola, toques rápidos, poucos dribles, poucas faltas e muitos chutes de fora da área, principalmente com os meias Gerrard e Lampard. Cheguei a achar que estava surgindo um dos maiores favoritos ao título.

 

Parecia que a Inglaterra iria até golear, mas após os 30 minutos a equipe começou a mudar. Duas desculpas, o forte calor e a iniciativa que o Paraguai resolveu tomar.

 

Com a pressão paraguaia na saída de bola, a Inglaterra se mostrou um time afobado e apresentou muitas dificuldades em trabalhar a bola. A equipe inglesa usou do artifício de fazer a ligação direta entre a defesa e o ataque, estratagema esse, que se mostrou ineficiente.

 

Outro ponto crítico é a falta de apoio ofensivo dos laterais. Em alguns momentos o time embola muito pelo meio e a jogada pela direita com Beckham fica previsível. A equipe fica depende dos cruzamentos e das cobranças de falta popstar inglês.

 

A equipe de sua majestade precisa mostrar muito mais futebol e condicionamento físico para ser uma das verdadeiras favoritas.

 



 Escrito por mestres da copa às 01h09 [] [envie esta mensagem]






Menos um, com um gol

Anderson Gurgel

De São Paulo

Santo Kaká. Salvou a pátria e sonho o hexa nacional.

Se não jogamos tudo o que o podíamos, pelo menos vencemos. Ufa!...

Que venha a Austrália. E que o Quarteto Mágico funcione melhor, pelo bem dos nossos corações.

 



 Escrito por mestres da copa às 18h19 [] [envie esta mensagem]






Andar com a fé eu vou porque o certo é viver e não ter a vergonha de ser feliz...

 

Por Sandra Mezzalira Gomes

De Berlim

 

 

Show com artistas brasileiros em Berlim: emoção (foto Sandra Gomes)

 

Eu com a cantora Daniela Mercury: belo show (foto de Sandra Gomes)

 

Desculpe se hoje soar emocional, mas fato é que, nestes mais de cinco anos de Berlim, poucos momentos me deixaram tão sem ação, tão arrepiada e com os olhos tão cheio de lágrimas como o espetáculo de hoje. O fato é que foi um pouco demais ouvir “viver e não ter a vergonha de ser feliz", ou “andar com a fé eu vou, a fé não costuma falhar" e, ainda, “moro, num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza".

 

Isso sem falar no fato de ver, ao mesmo tempo, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Sandra de Sá e Margareth Menezes no palco e aquela multidão formando uma onda verde-amarela, agitando bandeiras, apitando, gritando, dançando... Os alemães perguntando o que a letra quer dizer, emocionados com o show, contagiados pelo ritmo e vestindo as cores da seleção...

 

E eu ali, do lado de todo mundo, tirando até foto com a Daniela... Muito axé, muita energia, um espetáculo maravilhoso ao qual vou agradecer sempre por ter tido a oportunidade de conferir. E que a seleção nos traga mais momentos de emoção, lágrimas e boca aberta, afinal, sabemos dos problemas, do quanto a catarse do futebol nos faz esquecer a realidade, etc. e etc.

 

Bem, me desculpem neste momento em que estou vivenciando a Copa do Mundo se sou obrigada a esquecer um pouco da filosofia. Não dá, tenho que aproveitar o momento e pensar que a vida é “bonita e sempre desejada, por mais que esteja errada. Ninguém quer a morte, só saúde e sorte..." Só saúde e sorte. Boa sorte, Brasil!

 



 Escrito por mestres da copa às 14h55 [] [envie esta mensagem]






Os Verdadeiros Campeões

 

Por Florencia Saravia

De Luanda

 

A estréia da Angola na Copa do Mundo foi muito emocionante. É incrível ver um povo que é quase nosso irmão finalmente livre para viver. A felicidade dos angolanos ao ver sua bandeira e ouvir seu hino pela primeira vez num jogo da copa - essa mesma em que eles sempre torceram pelo Brasil -, vai ficar marcada para sempre na minha memória e no meu coração.

Mais divertido foi a ironia de uma estréia contra Portugal, o sumo opressor, o colonizador sanguinário.

Infelizmente, o time estava totalmente inseguro nos primeiros 15 minutos, o que resultou em um gol de Portugal. Em seguida, os mangolês começaram a pressionar como se deve fazer e a chutar na direção certa: a do gol! Entraram com Akwá (o craque) sem seu parceiro Mantorras. Isto já não havia funcionado nos jogos-treino, mas foi a tática escolhida pelo técnico Oliveira Gonçalves.

Os portugueses não conseguiram mais jogar depois que os angolanos cresceram em campo. Houve vários chutes perigosos do Akwá. O melhor foi um quase-gol de bicicleta do palanquinha negra!

Há que se destacar as atuações de Kali na defesa, Figueiredo no meio campo e o atacante Zé Kalanga - este último deu vários passes valiosos para o Akwá.

Para meu desespero no segundo tempo, ao invés de fortalecer o ataque com Mantorras e Akwá, Oliveira Gonçalves trocou um pelo outro. Oh, céus!!!!

Mesmo assim, o jogo foi bem disputado e os dois times estava muito equilibrados. Ficou muito claro que o gol português foi fruto da inexperiência angolana. Foi uma boa estréia da Angola, espero que esta seja uma de muitas copas que poderemos participar junto com nossos antepassados africanos.

Hoje tem Brasil e Luanda é toda verde-e-amarela!

 

 



 Escrito por mestres da copa às 14h47 [] [envie esta mensagem]






FUTEBOL E CINEMA: DUAS PAIXÕES


Por Victor Andrade de Melo

Do Rio de Janeiro

 

Na sociedade contemporânea, o futebol praticamente se impõe em cada pedaço desse mundo globalizado. Não surpreende, portanto, que existam mais países ligados à FIFA do que à ONU. Se o futebol é uma grande paixão mundial, o cinema não é um amor menor.

 

Os heróis e heroínas, os vilões e vilãs, as estrelas cinematográficas e seus comportamentos inundam o nosso imaginário. Formas de ser e de se portar, utopias e sonhos, difundidos pelas películas, habitaram o cotidiano de pessoas de todo o mundo: nada parece ter passado desapercebido aos cineastas e seus filmes.


Assim, quando discutimos as relações entre futebol e cinema, estamos certamente narrando os encontros e desencontros entre duas paixões universais, diferentes, mas profundamente relacionadas. Curiosamente, a mais popular das práticas esportivas contemporâneas está, em certo sentido, menos representada no cinema mundial, ainda mais quando o comparamos a outros esportes, como o boxe (este quase um gênero à parte).


De qualquer forma, não se pode dizer que o futebol não esteve presente nas películas. Por exemplo, podemos citar um dos mais relevantes filmes que tentou o levar às grandes telas, Fuga para a Vitória (1981), dirigido por John Huston, estrelado por grandes nomes do cinema (como Sylvester Stallone e Michael Caine) e do futebol (como Pelé e Bobby Moore). Lembramos ainda de Febre de Bola (David Evans, 1997), Meu nome é Joe (Ken Loach, 1998), A Copa (Khyentse Norbu, 1999), Driblando o destino (Gurinder Chadha, 2002), entre outros.


É interessante identificar o lugar que o Brasil (sejam seus jogadores ou seus símbolos) ocupa em muitas dessas películas, ainda que de forma bastante estereotipada. Parece um mistério que alguns cineastas desejam entender: a qualidade e vigor do futebol brasileiro; quase um ato de reverência.


E no “país do futebol”, como o cinema representou o futebol? Segundo o levantamento que realizamos em mais de 4.500 longas-metragens brasileiros, entre 206 que de alguma forma representam o esporte, 119 trazem algo relacionado ao futebol. Obviamente que esse grau de presença é muito variável, havendo desde breves citações (por exemplo, em Ópera do Malandro, 1985, de Ruy Guerra, há uma cena em um estádio); algum personagem da trama que é jogador (como no caso de Bossa Nova, 2000, de Bruno Barreto; ou O Casamento de Louise, 2001, de Betse Paula); passando por aqueles onde ocupa um espaço de relativa importância (como em Rio 40 graus, 1955, de Nélson Pereira dos Santos), até aqueles em que é assunto central.*


Entre esses últimos, vários são os assuntos abordados: clubes de futebol (caso de Flamengo paixão, 1980, David Neves), Copas do Mundo (por exemplo, Brasil Bom de Bola, 1971, Carlos Niemeyer), jogadores de futebol (Garrincha, Alegria do Povo, 1963, Joaquim Pedro de Andrade), questões de gênero (Onda Nova, 1983, José Antônio Garcia), dificuldades da carreira de jogador (Asa Branca, sonho brasileiro, 1981, Djalma Limongi Batista), relações com a política (Prá Frente Brasil, 1982, Roberto Farias), entre muitos outros.

 

Há ainda duas facetas menos conhecidas do grande público que devem ser citadas quando falamos da presença do futebol nas telas nacionais. Uma delas é o grande número de imagens documentais que podemos encontrar nos cinejornais, programas que antigamente eram exibidos antes do filme principal, cujo principal destaque é o Canal 100. A segunda, os muitos curtas-metragens, cujo número tem sido crescente nos últimos anos. Como destaque, citamos Uma História de Futebol (1998, de Paulo Macline), que disputou o Oscar de melhor curta.

Enfim, como um caminho de via dupla, cinema e futebol se interinfluenciaram e dialogaram constantemente. E esse percurso nos permite vislumbrar uma possibilidade de compreender os discursos acerca da sociedade, determinadas representações, certos mitos. Estar atento a isso, como recurso de investigação, como possibilidade pedagógica ou como maneira de ampliar nosso prazer, é uma necessidade e um desafio para todos nós, pesquisadores, estudiosos, interessados ou fãs. 

 

*Uma lista completa de todos os filmes brasileiros que tematizam o esporte, bem como dos específicos de futebol, pode ser encontrada em: www.lazer.eefd.ufrj.br/esportearte.



 Escrito por mestres da copa às 14h32 [] [envie esta mensagem]






É hoje!

Por Anderson Gurgel

De São Paulo

Finalmente chegamos à Copa do Mundo: grande coincidência! No dia de estréia da Seleção Brasileira no Mundial da Alemanha, também o nosso blog experimental entra em campo com força total.

A partir de hoje, o nosso blog experimental está no seu layout definitivo, alocado no Uol Blog. Também pode ser acessado na Cidade do Futebol e, também, graças a uma brilhante parceria, no portal da Gazeta Mercantil-Investnews. Com esse jornal, ainda, temos uma parceria que permitirá que alguns artigos dos nossos especialistas cheguem às páginas do jornal. O primeiro foi publicado na Gazeta Mercantil de hoje, e é um texto da Sandra Gomes falando sobre o clima pré-jogo do Brasil, em Berlim.

Já estamos no ar desde o início da Copa, mas agora é prá valer: o time de especialistas participantes, além de outros craques que serão convidados ao longo da competição, tem como único compromisso abordar o futebol nas suas múltiplas potencialidades, nas suas múltiplas capacidades de reflexão.

Um misto de bancada acadêmica com mesa de boteco. Esse é um pouco do espírito desse Mestre da Copa. Até porque futebol é ciência, é arte, mas é também paixão.

Avante, Brasil! Dê um show na Copa que explicaremos, aqui, como isso é possível em todos os seus detalhes.

Saudações verde-amarelas!

 

 



 Escrito por mestres da copa às 13h27 [] [envie esta mensagem]






Controle nas festas e polícia nas ruas

 

Por Sandra Mezzalira Gomes

 

De Berlim

 

 

Equipes de prontidão para qualquer imprevisto (foto: Sandra Gomes)

 

A presença da polícia nas ruas aumentou visivelmente desde a última quarta-feira em Berlim, quando a capital fez sua Festa de Abertura da Copa do Mundo. O controle em vários lugares, onde telões possibilitam o acompanhamento das partidas, garante mais tranqüilidade para os torcedores.

 

Mesmo assim, eu pude constatar falhas nessa vistoria. Em alguns casos, os seguranças e policiais não examinaram direito algumas mochilas. Também pude perceber que eles deixaram passar, por não terem visto, um rapaz com um canivete suíço pendurado em sua bolsa.

 

É claro que a segurança em excesso gera desconforto, mas é fundamental para o bom andamento do evento. Um caso bem característico é a irritação geral que causa nas pessoas, no calor de Berlim, quando se é obrigado a largar a garrafa de água/bebida, para entrar em alguns locais.

 

Afinal, além de perder os 0,25 centavos de euro pelo retorno da mesma, se é obrigado a pagar caro para beber algo no local. Não que a intenção seja não consumir nada, ao contrário. Mas ninguém quer ter de pagar por água!

 

Parece exagerado até o esquema montado no Sony Center, na Potsdamer Platz, com detector de metais e tudo, lembra mais um aeroporto do que um local de festa.

 

Importante, no entanto, é frisar que está havendo este controle e até agora a Copa tem sido muito bacana, tudo bem organizado, civilizado e sem grandes problemas. A polícia procura ser simpática, dá informações e até torce junto. Para o bem geral que continue assim. Mas o caso da água ainda está difícil de aceitar...



 Escrito por mestres da copa às 16h56 [] [envie esta mensagem]






Das coincidências do destino. E do futebol

 

Por Helena Jacob*

De São Paulo

 

Colonizador e colonizado: essa é uma das relações mais difíceis de se observar em processos históricos. O que pensar então de um “País-Filho” que só há apenas 31 anos cortou de vez os laços com a “Pátria-Mãe”? No caso da relação entre Portugal e Angola, o caso de tensão é ainda mais latente. País devastado por mais de 28 anos de Guerra Civil, a pátria africana ainda se recupera de todo o imbróglio de ter sido nação exportadora de escravos, “colonizada” em um processo cheio de erros da ditadura Salazar e “descolonizada” de maneira desastrosa pós-Revolução dos Cravos.

 

No entanto, três décadas depois, os laços culturais ainda são fortes, especialmente no que concerne à língua portuguesa e à religião católica. Observa-se hoje uma tentativa dos dois países de se aproximarem cada vez mais, inclusive estreitando laços econômicos. E quiseram, irônicos, os deuses do futebol, que Angola estreasse em Copas do Mundo justamente contra Portugal.

 

Muitos temores cercavam esse jogo. Afinal, em amistoso realizado em Alvalade, Portugal, há cerca de cinco anos, os ânimos se exaltaram e a partida não chegou ao final, com vários jogadores angolanos sendo expulsos. No entanto, o que se viu nessa tarde de domingo, 11 de junho, sob o calor alemão de 28 graus, foi uma partida morna, que nada lembrava confrontos explosivos, como os jogos entre a Seleção Argentina e a Inglesa nas Copas de 1986 e 1998.

 

O que se viu foi um Portugal apático, contrariando a imagem de seleção fulgurante, com craques como Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Angola só não surpreendeu porque mostrou que é, de fato, uma nação que ainda engatinha. Inclusive no futebol. Não se espera muito dos angolanos. Já foi uma vitória chegar à Copa. Mas, soubessem finalizar jogadas com mais categoria, a seleção do brasileiro pentacampeão Scolari teria ficado em maus-lençóis.

 

O que se pôde observar de mais claro no jogo de hoje foi que papéis sociais e culturais estabelecidos há séculos não se desfazem em apenas três décadas. Mas, pela alegria dos jogadores angolanos e pela disposição deles, podemos observar nitidamente os laços que nos unem – nós, brasileiros – a eles. Somos os filhos rebeldes brincando com a mãe austera.

 

Não se pode esquecer que muitos brasileiros têm sangue angolano correndo nas veias. Afinal, foram três milhões de escravos angolanos contrabandeados durante mais de três séculos, trazidos para o território verde-amarelo. Sem falar nas coincidências geográficas: meus portugueses que viveram 20 anos em Angola, sempre juraram ver semelhanças imensas entre o nosso litoral e o angolano. Espero, um dia, conferir de perto essas semelhanças. E ver a seleção angolana, que mostrou ter uma ginga e que pode lembrar vagamente a brasileira, conquistar o status um belo, além de alegre, futebol.

 

* Também por uma coincidência do destino, a autora desse artigo e nasceu e viveu três meses em Angola. Sua família fugiu da Guerra Civil e se estabeleceu no Brasil em setembro de 1975. Embora ostente passaporte e identidade portuguesas, pois nasceu no território angolano quando esse país ainda era colônia de Portugal, sua alma é plenamente brasileira.

 



 Escrito por mestres da copa às 23h24 [] [envie esta mensagem]






Neonazistas e greves: temores da Alemanha

 

Por Sandra Gomes

De Berlim

 

No segundo dia da Copa do Mundo, sábado, por volta de duzentos neonazistas foram às ruas em Geselkirchen, uma das cidades-sede do Mundial. Eles atraíram cerca três mil pessoas que aproveitaram a demonstração organizada pelos simpatizantes do NPD (Nationalsozialistische Partei Deutschland, o Partido Nacional Socialista da Alemanha) para dizer ao mundo justamente o contrário: Fora nazistas.

 

Andando na linha U1 de metrô ontem, sábado, observei que, em cima de um adesivo oficial da Fifa para a Copa do Mundo, colocaram outro com o emblema da Copa, mas com a carinha triste e mostrando um cartão vermelho. Era uma forma de chamar atenção da ProAsyl, uma entidade que defende o direito do estrangeiro de ficar por aqui. Havia ainda o slogan “Alemanha vai expulsar o campeão do mundo!”.

 

Várias categorias profissionais ameaçaram utilizar o período do 18° Torneio Mundial de Futebol, para chamar a atenção fazendo greve. Desde os funcionários da Coca-Cola até os dos aeroportos de Berlim (que geraram uma grande polêmica ao declarar que poderiam parar os trabalhos bem quando milhares de turistas estarão desembarcando por aqui), o tema tem ocupado as páginas da imprensa alemã desde o ano passado.

 

Criativos foram os médicos, que saíram as ruas em 28 cidades do solo germânico com uma paralisação no dia 3 de maio na qual o lema foi "Weltmeister - Medizin ohne Ärtze" (Campeão do mundo - Medicina sem médicos). Eles utilizaram a simbologia do gol sendo bloqueado pela burocracia. Os médicos têm protestado desde o ano passado contra várias reformas na legislação, os baixos-salários (pedem 30% de aumento), horas extras não remuneradas e melhores condições de trabalho.

 

O que vai acontecer durante a Copa agora realmente, ninguém sabe. Pelo menos nos aeroportos a situação parece ter sido resolvida. Em conversas informais as pessoas comentavam que seria "uma vergonha" para a Alemanha se as greves ocorrerem bem nesta época. Outras consideram "egoísta" por parte de uma categoria ameaçar estragar a festa mundial, citando ainda os prejuízos que isso traria para a imagem do país. Há ainda quem defenda o direito dos funcionários de aproveitarem uma boa oportunidade. O tempo pode esquentar nos próximos dias.

 



 Escrito por mestres da copa às 18h28 [] [envie esta mensagem]






A Angola que vai à Copa

 

Por Florencia Saravia

De Luanda, Angola

 

 

Palanquinha: mascote da telefonia angolana

 

A Angola não é o país do futebol. Certamente os angolanos estão felizes por estarem no mundial - já é uma vitória considerável para um país que até quatro anos atrás estava em guerra civil. As ruas não estão enfeitadas e eles não param tudo para ver jogos, mas as empresas estão aproveitando para fazer suas campanhas em cima do tema "Palancas Negras", apelido da seleção angolana.

 

A loteria, as raspadinhas, empresas de telecom, supermercados, vinhetas da TV, vinhetas de rádio, etc., tudo está vinculado aos craques Akwá e Mantorras. A Palanquinha é o personagem da campanha da Unitel, empresa de telefonia celular patrocinadora da seleção angolana, e está fazendo sucesso.

 

Já houve dois jogos-treino, contra a Argentina e contra a Turquia. No primeiro, ficou bem claro que os palancas não têm velocidade, nem estratégia. Os argentinos fizeram dois gols (ou "golos", como se diz por aqui), sem suar.

 

No segundo, mostraram que aprendem bem com seus erros. Foi um jogo bem mais equilibrado, 3 a 2 para Turquia, que teve que se esforçar. Ainda assim, a estratégia não é o forte do pessoal. O jogo do dia 05 de junho não foi transmitido. Infelizmente, minha curiosidade era grande, gostaria muito de ter visto os angolanos e os norte-americanos juntos em campo. O time dos EUA venceu por 1 a 0.

 

Hoje, Angola estréia contra Portugal. Muita história vai entrar em campo.

 



 Escrito por mestres da copa às 11h38 [] [envie esta mensagem]




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